Novo Lar

Não sabemos de maiores detalhes sobre a vida de Peter Joseph e sua família na Alemanha. Após a morte prematura do pai Bertram, aos 51 anos de idade, ele morou por algum tempo em Niederbreitbach.

Depois do segundo casamento, com Katharina Laux, e do nascimento do filho Peter em Niederbreitbach, a família se mudou provavelmente para Mühlheim, onde nasceram as filhas Maria Sofia e Ludovica, e talvez também para Bad Hönningen ou Koblenz.

Conta-se que, quando se perguntava o porquê de terem emigrado para o Brasil, eles falavam que a Alemanha já não era mais um bom lugar e que eles fugiram de "um perigo", provavelmente uma guerra ou uma grave crise na região por volta de 1859. A partir desta época houve muita miséria e todos passavam fome. A situação se tornou insuportável e só havia uma saída: a emigração. Foi nessa época que surgiu na região um representante do Governo Imperial Brasileiro, convidando os alemães a se fixarem próximos à primeira colônia germânica no Rio Grande do Sul: São Leopoldo.

Para o casal Peter Joseph e Katharina a decisão não deve ter sido fácil. Largar tudo e ir para um país distante, do qual pouco, talvez nada, fosse conhecido. E os filhos, tão pequenos. Max tinha no máximo 14 anos. Mas a decisão foi tomada em família, junto com os demais parentes da Katharina.

Não sabemos por qual porto Peter Joseph e família emigraram. Essa informação parece estar perdida no tempo. Infelizmente os registros de saída da Alemanha referentes ao período no qual teriam vindo para o Brasil foram destruídos por bombardeios durante a II Guerra Mundial, tanto em Hamburgo quanto em Bremen, e os registros de entrada no Brasil, nesse período, foram destruídos em um incêndio nos arquivos no Rio de Janeiro. Além disso, nos portos de Amsterdã, Antuérpia e Dunquerque não existem registros sobre a emigração para a América do Sul no século XIX. No porto de Gravenhage (Países Baixos) também não foram encontrados registros sobre a família de Peter Joseph.

A viagem teria durado três meses. No navio não havia bancos confortáveis, apenas troncos roliços de madeira. Vieram num barco a vela e nos dias em que não havia vento, Max se sentava na borda do navio e empurrava a água com as mãos, como se quisesse ajudar a remar para que a viagem fosse mais rápida.

Diz-se também que durante a viagem uma irmã de Katharina teria falecido. O corpo, embrulhado em um lençol branco, foi lançado ao mar.

E no final da jornada houve um imprevisto. Próximo do destino, o barco quebrou e não podia mais se mover. Ficou à mercê da maré e em pouco tempo eles se perderam. Com o navio quebrado, desorientados e com o suprimento de comida acabando só lhes restava uma coisa a fazer: rezar. E eles rezaram dia e noite, até a comida acabar e as esperanças minguarem.

Já no fim, quase vencidos pelo desespero, alguém avistou ao longe um navio se aproximando. Subiram rapidamente no mastro e fizeram sinal, percebido pelo outro navio que mudou seu rumo para ir na direção deles. Esse outro navio também estava indo para o Brasil e se propôs a transportar parte dos passageiros, tendo que separar algumas famílias e as amizades feitas durante a viagem.

 

Mapa de parte do estado de Santa Catarina mostrando as cidades por onde passaram os imigrantes Steiner  

 

Assim chegaram ao Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, onde foram conduzidos a um alojamento para os recém-chegados para cumprir a quarentena e realizar os trâmites burocráticos da alfândega.

Permaneceram mais alguns dias no Rio para finalmente embarcar em outro navio com destino ao sul do país, mais especificamente o Rio Grande do Sul. Traumatizados com as lembranças dos últimos dias à deriva em alto mar, eles não quiseram seguir viagem tão longa e mudaram de planos, decidindo ficar em terras catarinenses.

Chegaram em meados dos anos 1860 em Desterro, atualmente Florianópolis.

Depois disso a família seguiu para seu primeiro endereço no Brasil: a colônia Teresópolis.

Foi na colônia Teresópolis, entre 1865 e 1871, que nasceram as quatro filhas brasileiras do casal Peter Joseph e Katharina: Maria, Augusta, Philomena e Maria Cristina. A primeira foi batizada na capela de Teresópolis, enquanto as seguintes foram batizadas na capela do Capivari, sugerindo que família permaneceu pouco tempo na sede da colônia e desde cedo começou a se embrenhar pelas matas do vale do rio Capivari. É possível que eles tenham morado por algum tempo próximo das localidades de Santa Maria ou de Rio Sete.

Por volta de 1873, Peter Joseph decidiu se mudar com a família para Brusque. Possivelmente pesaram em sua decisão as dificuldades de agricultura nas terras montanhosas e o declínio econômico da colônia Teresópolis, em contraste com a prosperidade da nova colônia e o fato dos parentes de sua esposa Katharina também terem se mudado para Brusque. O filho Max, já casado, havia decidido permanecer no Capivari.

Por volta de 1875, Peter e Katharina se mudaram para Brusque e a propriedade foi repassada para outra família. Nessa época, o filho Max, já casado e com dois filhos, resolveu se aventurar nas terras do "Baixo Capivari", fixando residência no atual Alto São Martinho.

Em 1895, Peter Joseph e Katharina se despediram das filhas e genros em Brusque para se juntar ao filho Max no seu último endereço no Brasil. Uma pequena casa foi construída para abrigar o casal, próxima à curva da estrada, a uns 200 m da casa do filho Max. Nessa altura da vida, com mais de 70 anos de idade, Peter Joseph passou a se dedicar à pintura e a escrever relatos para jornais em alemão.

Lá residiram em seus últimos anos de vida. Peter Joseph faleceu em 1907 e Katharina em 1924. Ambos estão enterrados no cemitério do Alto São Martinho.

 

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